EL SALVADOR
Neste período, registrou-se uma série
de iniciativas legislativas e declarações dos partidos políticos
que se opõem à liberdade de imprensa e ao direito do público
à informação.
Em 1 de maio, o líder e deputado do partido de oposição
FMLN, Schafick Handal, durante as comemorações pelo Dia Internacional
do Trabalho, chamou jornalistas de mentirosos e disse que não se deveria
confiar nos meios de comunicação. Minutos depois, repreendeu
um repórter do noticiário "TELEDOS" do Canal 2, o
que fez com que seus seguidores insultassem e agredissem fisicamente o jornalista
e o cinegrafista.
Este incidente foi seguido por outros contra o jornal El Diario de Hoy.
O artigo 24 da Lei de Defesa Nacional incluía uma séria ameaça
à liberdade de expressão, ao direito de informação
e à confidencialidade das fontes, ao estabelecer que "os funcionários,
as autoridades públicas ou municipais e as pessoas físicas ou
jurídicas deverão fornecer as informações requeridas
de maneira oficial pelas autoridades competentes para os propósitos
da defesa nacional".
A lei foi aprovada em 15 de agosto pela Assembléia Legislativa, mas,
em 27 do mesmo mês, o presidente Francisco Flores devolveu o decreto
ao Congresso e pediu aos deputados que modificassem o artigo 24. Os deputados
aprovaram as observações feitas pelo presidente Flores, que
declarou que a lei não deve obrigar a imprensa a revelar suas fontes.
Dez governos municipais da área metropolitana de San Salvador negaram-se
reiteradamente a entregar informações sobre um controverso caso
de uso duvidoso de fundos públicos destinados à construção
e manutenção de uma planta de transferência de lixo. As
dez prefeituras, com 1,5 milhão de moradores, recusam-se a dar informações
sobre quase seis milhões de dólares que foram cobrados dos usuários
por meio das contas de luz, após a denúncia de um jornal matutino
sobre o desaparecimento de boa parte desse fundo.
A Assembléia Legislativa aprovou, em 26 de setembro, várias
reformas à Lei Orgânica do Tribunal de Contas da República.
A reforma do artigo 46 nega a divulgação dos resultados das
auditorias realizadas pelo Tribunal de Contas a funcionários do Estado
responsáveis pela manipulação do dinheiro dos contribuintes
até que estes funcionários tenham sido condenados ou exonerados
de seus cargos. O artigo 46 dita que: "Os relatórios de auditoria
serão assinados pelos funcionários do Tribunal, conforme o regulamento
estabelecido, e ganharão caráter público assim que seja
emitida a resolução exonerando ou sentenciando". A reforma
substitui o artigo anteriormente vigente, que estabelecia que os relatórios
de auditoria do Tribunal de Contas "terão caráter público",
garantindo-se assim a transparência do auditor estatal.
Com a reforma, que foi denunciada por jornalistas, organizações
profissionais e outros setores, o dinheiro dos salvadorenhos será contado
e supervisionado a portas fechadas.
O presidente Francisco Flores devolveu o decreto com as emendas incluindo
comentários, e embora proponha a reforma da redação,
ainda conserva elementos que ameaçam a liberdade de expressão,
pois oferece pleno arbítrio ao presidente do Tribunal de Contas para
decidir quando os resultados das auditorias serão tornados públicos.
Além disso, o anteprojeto da Lei do Conselho de Previdência da
Saúde, apresentado à Assembléia pelo Poder Executivo,
prevê em seu artigo 20 que "aqueles que participem de reuniões
da Junta de Diretores serão responsáveis se divulgarem qualquer
informação confidencial sobre os assuntos discutidos..."
E, em seu artigo 23: "...fica proibido revelar qualquer detalhe dos relatórios
ou informar sobre qualquer fato reservado".
O jornal La Prensa Gráfica denunciou discriminação contra
seus jornalistas pelo Supremo Tribunal de Justiça, em especial pelo
seu presidente, depois que o jornal publicou relatórios documentados
sobre a excessiva e onerosa contratação de assessores de segurança
e de um criminoso confesso que atualmente ocupa o cargo de assessor direto
da presidência deste órgão.
O jornal também denunciou que a presidente do Conselho Nacional da
Judicatura centralizou as informações a serem divulgadas pelo
conselho e impede que outros membros do conselho façam declarações
aos jornalistas.
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