VENEZUELA
O exercício da liberdade de expressão está exposto a
uma série de riscos que não se limitam a simples ameaças,
veladas ou não, a violações que comprometem sua vigência,
mas a sérias medidas e ameaças por exercê-lo. Os governantes
afirmam que a imprensa, o rádio e a televisão mentem quando
falam de restrição desse direito porque informam e opinam sem
censura prévia, mas jamais se referem ao modo como o fazem e ao quanto
se expõem.
O estado de direito está seriamente ameaçado. Para exercer a
função de jornalista ou editor, é necessário revestir-se
de coragem já que, freqüentemente, é imprescindível
utilizar um colete à prova de balas, máscaras contra gás
e a devida proteção contra roubo e destruição
dos equipamentos de trabalho, inclusive automóveis.
O presidente Hugo Chávez não cansa de proferir através
de seus constantes discursos - muitos deles transmitidos em cadeia por rádio
e televisão - agressões de todo tipo e repetidas afirmações
contra meios e comunicadores, os quais chama de "lixo". Uma missão
conjunta da SIP em setembro determinou a inexistência de liberdade de
imprensa e destacou a impunidade que protege e sustenta as agressões
contra jornalistas e meios.
Diante dessa situação, a Comissão Interamericana de Direitos
Humanos teve de ratificar e prorrogar as medidas cautelares ditadas a favor
de jornalistas e meios no início do ano, decisões que não
foram respeitadas pelo governo, o que vai contra os princípios constitucionais,
leis e acordos internacionais assinados pelo país.
Merecem atenção especial os decretos oficiais que criam áreas
de segurança indiscriminada em áreas próximas a instalações
militares, localizadas ou não em cidades. Essa medida, além
de restringir o direito à propriedade e submetê-lo ao capricho
do Executivo, limita a livre circulação, o direito de manifestação
e de informar, violando normas constitucionais.
Um aspecto relevante e grave é o projeto de Lei Orgânica de Participação
Cidadã, distribuído e em circulação entre deputados,
que deverá ser apresentado para discussão na Assembléia
Nacional e no qual, de maneira subreptícia, incluiu-se um artigo para
restringir, enfraquecer ou eliminar a liberdade de expressão através
de um Conselho Nacional de Vigilância dos Meios de Comunicação
Social, sob o Ministério de Comunicações. Esse Conselho,
integrado por organizações vizinhas, supervisionaria constantemente
os meios de comunicação e lhes aplicaria sanções
recomendadas por uma comissão de cidadãos, de estilo nitidamente
marxista-comunista, a qual teria poderes para impor altas multas e decretar
o fechamento de qualquer meio de comunicação que, segundo esses
"tribunais populares", infringisse suas supostas normas e diretrizes.
Entre outros incidentes sérios, registraram-se os seguintes:
Em 11 de abril, foi assassinado o jornalista Jorge Tortoza, fotógrafo
do jornal 2001, durante as manifestações políticas que
desencadearam a saída temporária do presidente Chávez
do governo. O crime continua sem punição.
Os jornalistas trabalham sob constantes ameaças físicas e emocionais.
Até a data, são 51 os funcionários de meios agredidos:
12 feridos, 22 ameaçados, seis apedrejados, cinco assaltados, quatro
baleados. Um carro foi incendiado, granadas e bombas incendiárias foram
lançadas e dois equipamentos foram perdidos em plena cobertura de eventos.
Prédios de meios também foram danificados.
Em 16 de outubro, grupos apoiados pelo governo atacaram e destruíram
um tribunal no estado de Lara pouco depois de o tribunal ter concordado em
ouvir um recurso em favor do jornalista José Ángel Ocanto, que
foi processado por difamação e injúria pelo Chefe de
Segurança do Estado.
Em 19 de outubro, em Caracas, um explosivo foi lançado contra o escritório
da Unión Radio.
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