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Resumo dos relatórios país a
país de
Ricardo Trotti, coordenador de Liberdade de Expressão, na
Reunião de Meio de Ano da SIP
Casa de Campo, República Dominicana
17 de março de 2002
ARGENTINA
A grave situação econômica e política que assola
o país trouxe como resultado várias agressões, ataques
e ameaças a jornalistas, especialmente os envolvidos na cobertura das
desordens sociais.
Uma comissão especial da Câmara dos Deputados denunciou manobras
de lavagem de dinheiro na aquisição de alguns meios de comunicação.
ARUBA E ANTILHAS HOLANDESAS
O governo aprovou uma lei para facilitar o acesso da imprensa a informações
públicas.
BOLÍVIA
A reforma aprovada do Código Eleitoral inclui os períodos nos
quais os meios podem divulgar propaganda política e impõe os preços
da tarifas que devem ser cobradas por essa propaganda, preços que não
podem ser superiores à média comercial cobrada no primeiro semestre
do ano anterior à eleição.
A destruição das plantações de coca resultou em
várias agressões a jornalistas e permitiu que o governo fechasse
várias estações de rádio na região que operavam
sem licença e que defendiam a não destruição das
plantações.
BRASIL
Continua existindo uma espécie de "indústria das indenizações"
que é criada por decisões judiciais que aplicam altas multas a
meios e jornalistas e, com isso, consegue-se censurar informações
que afetam principalmente funcionários públicos ou atos de corrupção
administrativa.
Em fevereiro, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura de empresas de
jornalismo com capital estrangeiro, com até 30% de participação,
e um tribunal federal de São Paulo suspendeu em todo o país a
obrigatoriedade do diploma universitário e o registro profissional no
ministério do Trabalho.
CANADÁ
Teme-se que uma nova legislação anti-terrorismo possa ser usada
para restringir a liberdade de expressão e o acesso a informações
públicas.
Segundo uma recente emenda do Código Penal, os tribunais podem ordenar
que, em certas circunstâncias, haja impedimento de publicação
de informações.
CARIBE
Um apresentador de um programa de rádio foi forçado a deixar Antigua,
em um incidente que provocou muitos protestos.
Em Granada, um diretor e um repórter de rádio foram processados
por difamação em dois casos separados.
CHILE
O governo não fez progressos na reforma da Lei de Imprensa de 2001, conforme
havia estabelecido, e na qual há cláusulas de censura ao trabalho
informativo.
Uma funcionária do Conselho de Estado processou um jornal por ter recorrido
a um órgão internacional, tal como a SIP, depois de ter sua administração
criticada em um editoral. A mesma funcionária já havia processado
o jornal pelo mesmo motivo.
COLÔMBIA
Dois jornalistas foram assassinados por motivos profissionais, 17 foram ameaçados
de morte pela guerrilha, o narcotráfico e os paramilitares. Vários
jornalistas abandonaram o país.
O governo, induzido por Horacio Serpa, candidato à presidência,
pediu à OEA que envie ao país uma comissão para monitorar
as informações eleitorais devido a queixas de que os meios em
geral não exercem sua função de forma imparcial e igualitária.
COSTA RICA
O Supremo Tribunal obrigou um canal de televisão, sob o pretexto de "igualdade
política", a realizar um debate presidencial com mais de uma dúzia
de políticos quando o canal havia anunciado um debate entre os quatro
candidatos dos partidos de maioria que obtiveram quase todas as intenções
de voto do eleitorado.
A Assembléia Legislativa aprovou a eliminação do crime
de desacato que punia com até dois anos de prisão quem ofendesse
a honra ou decoro de um funcionário público. Por outro lado, as
constantes decisões judiciais, especialmente sobre o direito de réplica,
contra jornalistas e meios resultou em uma cultura de autocensura.
CUBA
Existe uma nova escalada oficial de violência contra os jornalistas independentes
na qual se registra um aumento das agressões, ameaças e negativas
de visto para sair do país. Há vários jornalistas na prisão
depois dos incidentes na embaixado do México, em Havana.
Aumentaram os obstáculos para evitar que os jornalistas independentes
enviem artigos para o exterior. O acesso a correio eletrônico e à
Internet é impossível, já que até um cidadão
comum deve pedir permissões especiais ao Departamento Nacional de Segurança
Tecnológica.
EQUADOR
O Congresso aprovou em primeira instância o Código da Infância
e da Adolescência, o qual interfere na política editorial dos meios
privados ao impor espaços gratuitos para as informações
geradas pelo setor público.
Depois da guerra civil iniciada na Colômbia, o governo equatoriano decretou
o estado de emergência, o que permitiu o fechamento de estações
de rádio nas regiões de fronteira.
EL SALVADOR
Funcionários municipais e nacionais negam-se sistematicamente a receber
jornalistas e a fornecer informações de interesse público.
Dirigentes do principal partido de oposição, o FMLN, iniciaram
uma campanha de agressão a jornalistas e meios depois de denúncias
nos principais jornais sobre uma marcha do partido na qual se manifestou o apoio
a Osama Bin Laden.
ESTADOS UNIDOS
Daniel Pearl, correspondente do The Wall Street Journal, foi assassinado por
seus seqüestradores no Paquistão e sua morte chocou o mundo inteiro.
Membros do governo do presidente Bush elaboraram um plano para criar um novo
departamento que preocupou a mídia que temia que este pudesse ser utilizado
para divulgar informações falsas na guerra ao terrorismo. Uma
ordem do ministério de Justiça foi considerada uma possível
ameaça ao livre fluxo de informações por parte do governo.
GUATEMALA
Um jornalista foi assassinado, muitos outros agredidos e ameaçados. A
perseguição vem principalmente do partido do governo, o Movimento
da Família Lavalás.
Diante da indiferença do governo e da polícia quanto à
denúncia dos jornalistas sobre agressões sofridas, a Associação
Nacional dos Jornalistas começou a processar criminalmente os agressores.
HONDURAS
Um deputado pediu ao Congresso que meios e jornalistas sejam regulados e controlados
em represália a críticas ao governo e por publicações
sobre a recusa do Consulado dos Estados Unidos em conceder vistos a empresários
importantes.
MÉXICO
Um jornalista foi assassinado em uma região de fronteira nos Estados
Unidos, considerada de alto risco para o exercício do jornalismo devido
à alta presença e influência de grupos de narcotraficantes.
Não houve registro de nenhum tipo de progresso em processos judiciais
de assassinatos de mais de dez jornalistas, apesar de a Comissão Interamericana
de Direitos Humanos ter definido, depois de investigações da SIP,
que o Estado mexicano tem "responsabilidade internacional".
NICARÁGUA
Uma lei de afiliação obrigatória editada em abril de 2001
ainda não foi aplicada porque não houve acordo entre os dois sindicatos
que, por lei, devem escolher um conselho diretor.
O novo governo disse que aplicará uma política justa e técnica
para a concessão de publicidade oficial, distanciando-se do governo anterior
de Arnoldo Alemán, que se caracterizou por castigar e premiar os meios
com dinheiro do Estado.
PANAMÁ
Apesar das promessas do governo, continuam em vigor as leis que limitam o exercício
da liberdade de imprensa. Continuam também os casos de perseguição
aos jornalistas, que são vítimas arbitrárias por supostas
calúnias.
Em um ambiente de repressão judicial, essas denúncias são
aproveitadas para dificultar o exercício do jornalismo.
PARAGUAI
A liberdade de imprensa foi afetada por decisões judiciais contra meios
de comunicação, com a imposição de altas multas
e favorecimento a funcionários e autoridades públicas sobre as
denúncias jornalísticas sobre corrupção.
Registraram-se vários casos de perseguição, ameaças
e agressões a jornalistas e meios, principalmente no interior do país
e na área de fronteira com o Brasil e a Argentina, onde agem bandos de
contrabandistas.
PERU
Um acalorado debate público provocou a possível retirada, por
parte do Estado, de licenças de alguns canais de televisão cujos
proprietários tiveram de deixar o país ou estão sendo processados
por terem sido subornados por Vladimiro Montesinos no governo anterior.
O acesso às informações públicas e a cláusula
de consciência para os jornalistas são aspectos que estão
incluídos em alguns projetos de lei examinados pelo Congresso.
PORTO RICO
Juízes, legisladores e funcionários públicos continuam
emitindo disposições ou ordens para que os jornalistas não
possam ter acesso às informações geradas pelo setor público
ou para evitar ataques a funcionários públicos.
REPÚBLICA DOMINICANA
Continua sendo examinada no Congresso uma lei de imprensa que, entre outros
aspectos, garante o direito de acesso às informações públicas
e estabelece que a responsabilidade primária do que é publicado
recai sobre o meio.
Continua sem punição o assassinato do jornalista Narciso González,
desaparecido em 1994.
URUGUAI
Ocorreram prisões e intimações a jornalistas que foram
obrigados a revelar informações e fontes de informação,
depois de denúncias sobre corrupção na administração
pública.
Continua a prática governamental de conceder publicidade oficial aos
meios sem seguir critérios técnicos.
VENEZUELA
O presidente Hugo Chávez é o principal responsável por
uma campanha sistemática de agressão a meios e jornalistas e para
isso utiliza seus intermináveis discursos em cadeias nacionais envolvendo
meios estatais e privados de radiodifusão e incita os membros dos Círculos
Bolivarianos a atacar os jornalistas.
Além da cláusula constitucional de "informação
veraz" e das decisões judiciais que favorecem o presidente Chávez
para se colocar acima da liberdade de imprensa, os legisladores criaram uma
Lei de Conteúdos que, com a desculpa de regular o horário de proteção
a menores, pretende erigir-se como mecanismo de controle e censura dos meios.
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