A SIP se solidariza com o chamado das organizações
A SIP se solidariza com o chamado das organizações
De imprensa no Brasil para acabar com a violência
Miami (16 de agosto de 2006).- A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) expressa sua solidariedade ao chamado das principais organizações de imprensa e meios de comunicação do Brasil para acabar com a violência do crime organizado que assola o país e pede veementemente às autoridades estatais e federais do Brasil que coordenem esforços para se contrapor a este flagelo.
Nos preocupa o incremento da violência generalizada por parte dos grupos à margem da lei que nos últimos meses afeta o país. É urgente que o governo assuma o controle da situação, afirmou Gonzalo Marroquín, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação.
O repórter Guilherme Portanova e o auxiliar técnico Alexandre Coelho Calado, da Rede Globo, foram seqüestrados em São Paulo em 12 de agosto pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para obrigar a emissora a transmitir uma mensagem gravada do grupo, que é protagonista nos últimos meses de atos violentos em grande escala. O PCC libertou Coelho Calado com o vídeo que foi transmitido pela emissora para garantir a vida de Portanova, liberado posteriormente. É a primeira vez que no Brasil se utiliza este método de coação.
Ainda esta semana, a jornalista Maria Mazzei, do jornal O Dia, do Rio de Janeiro, teve de ser levada sob escolta, junto com sua família, para um local seguro depois de receber ameaças em represália a uma série de reportagens denunciando o roubo de cadáveres para uso em golpes de seguros de vida.
O problema da violência contra a imprensa ficou mais evidente nos últimos dias em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas levantamentos feitos pela SIP indicam que as restrições à liberdade de imprensa na forma de ameaças, intimidações e atentados vêm se repetindo em todos os Estados do Brasil.
Diante do início da campanha eleitoral para os Governos do Estado, Senado, deputados federais e estaduais e Presidência do Brasil, a Associação Nacional de Jornais, as entidades representativas de emissoras de rádio e televisão (Abert/Abra/Abratel) e a Associação Nacional dos Editores de Revistas emitiram uma mensagem em conjunto dando um basta à escalada da violência contra a vida, contra o patrimônio e contra as instituições democráticas e criticaram a falta de coordenação entre as autoridades estatais e federais para garantir a segurança pública.
Marroquín, diretor do jornal Prensa Libre en Guatemala, acrescentou que quando a violência predomina são atingidas as liberdades fundamentais, entre elas a liberdade de expressão e de imprensa e por temor a represálias se assume a postura da autocensura, tal como aconteceu em cidades do México e da Colômbia, onde o crime organizado teve um grande impacto.
O representante da SIP lamentou que as pressões dos seqüestradores tenham obrigado a emissora de televisão a transmitir uma mensagem sobre a situação dos presídios no Brasil.
O presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa lembra que a SIP vem denunciando a violência contra a imprensa e os meios de comunicação em seus relatórios e resoluções; assim como no livro Mapa de Risco para Jornalistas, que evidencia as dificuldades que enfrentam para a cobertura jornalística nas regiões mais perigosas do Brasil, da Colômbia e do México.
Por outro lado, reiterou que o tema de como enfrentar a violência, do ponto de vista jornalístico, será um dos assuntos principais da próxima assembléia geral da SIP no fim de setembro no México, onde também, nas próximas semanas, se realizará o seminario Jornalismo frente ao narcotráfico.
A SIP deverá promover em dezembro deste ano um seminário-treinamento para jornalistas brasileiros sobre o exercício do jornalismo em ambientes hostis.
FUENTE: nota.texto7