Miami (24 de
maio de 2000) - A Sociedade Interamericana de Imprensa apresentou
à Comissão Interamericana de Direitos Humanos os resultados
de suas investigações sobre o assassinato de dois
jornalistas ocorridos no Brasil para que a organização
hemisférica inicie o processo de averiguações
para estabelecer responsabilidades.
A documentação,
enviada à CIDH em 19 de maio, registra os casos dos jornalistas
Manoel Leal de Oliveira, assassinado em 14 de janeiro de 1998, e
de Ronaldo Santana de Araújo, assassinado em 9 de outubro
de 1997, ambos na Bahia, Estado brasileiro onde se registra o maior
número de crimes contra jornalistas nos últimos dez
anos.
A SIP destaca
nos dois casos a impunidade e negligência com as quais as
autoridades locais conduziram as investigações iniciais.
Depois da investigação realizada pela Unidade de Resposta
Rápida da SIP, criada para investigar de forma rápida
os crimes contra jornalistas, foram verificadas irregularidades
na investigação oficial.
Sobre o caso
de Leal de Oliveira, a SIP destaca, entre outras irregularidades,
que "não foi feito nenhum retrato falado dos possíveis
assassinos, tampouco foram obtidos os objetos pessoais da vítima
no momento do crime; não foram ouvidas todas as testemunhas
nem considerados testemunhos vitais nem se investigou a origem de
uma ameaça telefônica recebida pelo jornalista no dia
do crime".
Como no caso
anterior, a SIP afirma que "a investigação oficial
do crime de Santana de Araújo foi pouco rigorosa. A Polícia
Civil demorou a chegar ao local do crime e não isolou a área.
A investigação passou por várias jurisdições
e o processo foi atrasado. Existem contradições nas
declarações de um dos suspeitos que ainda não
foram investigadas. E evidências importantes desapareceram".
Em setembro
de 1999, a SIP também apresentou à CIDH os seguintes
casos: Jairo Elías Márquez e Gerardo Bedoya, da Colômbia,
assassinados em 1997; Aristeu Guida da Silva e Zaqueu de Oliveira,
do Brasil, em 1995. Quanto a este último, já teve
início o processo de comunicação -- respostas
e observações - entre o Brasil e a SIP por meio da
CIDH.
No início
de 1997, a SIP apresentou ao órgão hemisférico
as investigações de : Guillermo Cano, assassinado
em 1986, e Carlos Lajud Catalán, em 1993, da Colômbia;
Irma Flaquer, em 1980, na Guatemala; e Víctor Manuel Oropeza,
em 1991, e Héctor Félix Miranda, assassinado em 1988,
do México.
Sobre o caso
de Félix Miranda, a Comissão emitiu em 1999 uma declaração
condenatória na qual determinava que o Estado mexicano "violou,
em prejuízo de Félix Miranda, o direito à liberdade
de expressão, garantido pelo artigo 13 da Convenção
Americana".
As estatísticas
da SIP indicam que 223 jornalistas foram assassinados nos últimos
11 anos no hemisfério. Destes, 13 foram mortos nos últimos
oito meses, sendo que cinco na Colômbia, três no México,
dois na Guatemala e um no Haiti, Paraguai, e Uruguai, respectivamente.
FUENTE: nota.texto7