SIP condena ataque contra meios e jornalistas no Brasil
SIP condena ataque contra meios e jornalistas no Brasil
Miami (13 de setembro de 2005).- A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou os ataques contra meios e jornalistas no Brasil, onde na semana passada foram incendiados um jornal e duas rádios, e acrescentou que a organização vai debater o tema na sua próxima reunião, em outubro.
As instalações da Central Marília Notícias (CMN), sede do Diário de Marília, e as estações de rádio Dirceu AM e Diário FM, foram 80% destruídas depois que desconhecidos provocaram um incêndio na madrugada de 8 de setembro. Dois homens encapuzados e armados, acompanhados por uma mulher, jogaram gasolina no local e iniciaram o incêndio. As imagens foram capturadas por câmaras de segurança.
Segundo o chefe de redação do jornal, José Ursílio de Souza e Silva, o atentado teria ligação com sua linha editorial que criticava supostas irregularidades financeiras e corrupção na prefeitura de Marília, no estado de São Paulo.
Condenamos essas manifestações de violência que são contrárias à liberdade de imprensa, e pedimos que as autoridades continuem as investigações até localizarem todos os envolvidos nos ataques contra meios de comunicação e jornalistas, disse Gonzalo Marroquín, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação.
A polícia militar deteve um jovem que teria confessado sua participação no atentado. Ele disse que foi contratado por uma pessoa cujo nome não lhe foi revelado. A polícia ainda procura os outros suspeitos. Apesar da extensão dos danos sofridos, principalmente pelas rádios, a programação diária dos meios não foi interrompida. O Diário de Marília, fundado há 77 anos, circulou em uma versão reduzida.
Marroquín, diretor do jornal Prensa Libre¸ da Cidade da Guatemala, lembrou que a Declaração de Chapultepec, que apresenta dez princípios sobre liberdade de imprensa e liberdade de expressão, afirma que o assassinato, o terrorismo, o seqüestro, as pressões, a intimidação, a prisão injusta dos jornalistas, a destruição material dos meios de comunicação, qualquer tipo de violência e impunidade dos agressores, afetam seriamente a liberdade de expressão e de imprensa. Estes atos devem ser investigados com presteza e punidos severamente.
Em outro incidente registrado em 5 de setembro passado, as janelas do carro do repórter gráfico Leandro Nunes, do jornal Folha de Rondônia, foram destruídas na garagem da sua casa. Segundo o próprio Nunes, o fato teria ligação com uma foto que ele tirou de um policial federal, investigado por suspeita de corrupção, ou com o fato de o fotojornalista ter sido testemunha de um ato de extorsão cometido por esse agente. Nunes especulou também que o ataque pode ser uma vingança por assuntos pessoais.
O presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa disse que a SIP continuará alerta e avaliará a situação no Brasil como parte das atividades para a revisão do nível de liberdade de imprensa no hemisfério ocidental durante a sua Assembléia Geral, que será realizada de 7 a 11 de outubro, em Indianápolis, Indiana.
FUENTE: nota.texto7