True, corresponde desde 1992 do San Antonio Express-News no México, viajou, no final de novembro de 1998, para a região de Sierra Madre, no interior do país, para fazer uma reportagem sobre os índios huicholes. Em 16 de dezembro de 1998, seu corpo foi encontrado e dois homens dos huicholes confessaram ter participado do seu assassinato.
A Sociedade Interamericana de Imprensa enviou uma carta ao procurador-geral do México, Rafael Macedo de la Concha, assinada pelo presidente da SIP, Danilo Arbilla, do semanário uruguaio Búsqueda, e cujo texto reproduzimos a seguir.
"A Sociedade Interamericana de Imprensa manifesta sua surpresa e preocupação
diante da absolvição, na sexta-feira passada, dos assassinos confessos
do jornalista Philip True, correspondente do San Antonio Express-News no México,
depois que um juiz municipal do estado de Jalisco os absolveu dos crimes dos
quais eram acusados.
O processo de investigação e o processo judicial apresentaram desde o início irregularidades que evitaram que os assassinos fossem responsabilizados pelo crime que cometeram. Estamos supresos com o fato de o juiz José Luis Reyes ter decidido a favor dos implicados depois de confessarem o crime e depois de terem sido encontrados em sua casa pertences de True.
Sr. Procurador, preocupa-nos também o fato de que além da absolvição dos acusados tenha-se agredido a imagem de True ao se pretender insinuar que o jornalista ingeriu bebidas alcóolicas, alegando-se que isso possa ter provocado a sua queda acidental e eventualmente sua morte. É também estranho e incomum que tenham sido realizadas três autópsias, sendo que em cada uma obteve-se um resultado diferente.
A Sociedade Interamericana de Imprensa, organização que representa mais de 1.300 publicações do hemisfério ocidental, lamenta a decisão e considera que nessa ocasião a justiça ignorou elementos contundentes para que esse caso se transformasse em um exemplo do interesse das autoridades em solucionar dezenas de crimes contra jornalistas que continuam sem punição.
Reiteramos o pedido feito pela delegação da SIP durante uma visita ao presidente Vicente Fox na Cidade do México na qual lhe pedimos que desse mais atenção ao número de crimes contra jornalistas e que considerasse a possibilidade de transferir esses casos para a jurisdição federal para que se garantisse um processo imparcial.
Gostaríamos também de evocar o princípio 4 da Declaração de Chapultepec que enfatiza que "O assassinato, o terrorismo, o seqüestro... a violência de qualquer tipo e a impunidade dos agressores restringem seriamente a liberdade de expressão e de imprensa. Esses atos devem ser investigados com prontidão e punidos com severidade."
FUENTE: nota.texto7