Miami (10 de junho de 2003) – A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP)
expressou sua preocupação e lamentou os assassinatos de dois jornalistas
ocorridos nos últimos dias em diferentes locais do Brasil e pediu às
autoridades locais que iniciem imediatamente uma investigação para
esclarecer os crimes e levar os responsáveis à justiça.
O sócio- proprietário do semanário Boca do Povo, Edgar
Ribeiro Pereira de Oliveira, foi assassinado em 9 de junho em Campo Grande,
Mato Grosso do Sul, região Centro-Oeste do Brasil. Homens desconhecidos
fizeram 15 disparos contra ele de dentro de um carro. Segundo a polícia,
o crime tem características de execução. A publicação
que de Oliveira dirigia era conhecida na região por suas reportagens
contra a corrupção pública.
Em outro incidente, na segunda-feira, 3 de junho, foi assassinada a jornalista
Melyssa Martins Correia, do jornal Oeste Noticias, de Presidente Prudente, São
Paulo, a 400 km da capital. Martins Correia, diretora do suplemento cultural
do jornal, foi morta com um tiro na cabeça.
Rafael Molina, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da SIP,
declarou que “é preocupante que poucos dias antes do aniversário
da morte do jornalista Tim Lopes, tenhamos de lamentar outros dois crimes no
Brasil. Pedimos aos governos locais que investiguem e solucionem o quanto antes
esses novos assassinatos para que se proteja o trabalho dos jornalistas.”
A Unidade de Resposta Rápida da SIP no Brasil iniciará a investigação
sobre os dois assassinatos para verificar se estão relacionados com o
exercício do jornalismo. Segundo a organização hemisférica,
o Brasil está entre os países mais perigosos para o exercício
da profissão. De 1988 até hoje foram assassinados 22 jornalistas.
Como parte da sua campanha “Vamos acabar com a impunidade”, a SIP
publicará esse mês um anúncio que trata, coincidentemente,
de um jornalista brasileiro, Reinaldo Coutinho da Silva, cujo assassinato, ocorrido
em 29 de agosto de 1995, continua sem punição.
FUENTE: nota.texto7